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Voluntariado na África

Lucia Caldas é apaixonada por viagens, fotografias, culturas e povos. Ela conta sobre sua viagem para a África e como o voluntariado impactou sua maneira de ser e de ver no mundo

Minha filha, Mariana Serra, fundou a empresa Volunteer Vacations, que agencia voluntários no Brasil e no mundo para experiências de ajuda humanitária. E me incentivou a ir com ela ao leste africano atuar como enfermeira. Era uma excelente oportunidade para conhecer e fotografar uma parte do planeta até então desconhecida para mim. Apesar de ter viajado a vários lugares, Quênia e Zanzibar não estavam nos meus planos, ainda mais considerando que, no ano em que viajamos, a região havia sofrido o segundo maior atentado terrorista de sua história.

Quando avisamos nossos parentes sobre a viagem, parte deles ficou preocupada, mas acharam o motivo nobre. Então, com o apoio de todos, partimos para o nosso primeiro destino.

Os órfãos do Quênia

No Quênia, o clima varia. Entretanto, na capital, Nairobi, é mais seco. Isso porque a região está a mais de mil metros de altitude. Na cidade, fomos voluntárias no maior orfanato privado do Quênia. Estatísticas da região apontam um dado triste: 700 crianças ficam órfãs por dia no país, somando mais de 2 milhões de meninos e meninas sem pai nem mãe. Nossa rotina estava voltada para os bebês, e era repleta de cuidados básicos. Senti-me grata em poder ajudar. Ver o rostinho daquelas crianças tão necessitadas de atenção e carinho me transformou interiormente.

Ainda no Quênia, conhecemos Kibera, a maior favela da África. Lá tivemos contato direto com a população local, o que normalmente não conseguiríamos se tivéssemos ficado presas em hotéis. Certo dia, eu era a única estrangeira no meio de vários quenianos, e eles decidiram fazer um show para mim, para que eu me sentisse em casa.

Não me sai da memória a receptividade e alegria daquele povo. O contato com aquelas pessoas tão carentes e ao mesmo tempo com um sorriso no rosto me fez refletir sobre o valor que damos às coisas boas e a importância que despendemos para as ruins.

Entre elefantes e girafas

Na capital Nairobi, conhecemos as tribos Maasais, o Giraffe Center, o Elephant Orphanage e o Maasai Market na região central.

O Elephant Orphanage é, como o nome em inglês indica, um orfanato para elefantes. A matança ilegal da espécie infelizmente é uma prática recorrente. A busca pelo marfim acaba dizimando muitas famílias de elefantes e deixando diversos filhotes órfãos, por isso foi criado esse espaço para acolhê-los e recuperá-los até que fiquem bons o suficiente para voltarem à savana africana. Além de assistir a uma palestra, também tivemos contato com os animais. Uma experiência incrível.

O Giraffe Center é outro espaço fantástico para se conhecer. Trata-se de um santuário de girafas, no qual é possível alimentá-las, beijá-las e até mesmo receber umas lambidas na cara. As girafas são criadas soltas e, assim como no orfanato de elefantes, também passam por um processo de recuperação, pois muitas chegam ao centro machucadas ou doentes.

Outra indicação é o famoso Maasai Market, um mercado localizado no centro de Nairobi. Nele você encontra lindas peças de artesanato, panos, souvenires africanos e quenianos. Fique esperto e negocie bastante.

As praias de Zanzibar

Zanzibar é um arquipélago maravilhoso localizado na costa da Tanzânia. O clima se assemelha ao brasileiro, já que também é tropical e úmido. Na região, visitamos escolas e conhecemos as praias. Uma mais incrível que a outra. A água tinha um tom de azul intenso como eu nunca havia visto nas diversas viagens que fiz. Vou destacar Jambiani Beach, um paraíso na terra.

Também visitamos Stone Town, ou a Cidade de Pedra, com sua arquitetura singular formada por elementos de diversos povos e culturas.

Dicas e lições

Para quem pretende conhecer o local, minha dica é estar com as vacinas em dia, principalmente contra a febre amarela. Aliás, quem não tiver tomado essa vacina nem consegue entrar no país. Só tome água na rua se a embalagem estiver lacrada, também é importante não comer nada vendido em barracas. Leve protetor solar e repelente, você vai precisar. E, claro, leia sobre a cultura e os hábitos locais, que deixa tudo sempre mais interessante.

Já para quem pretende fazer trabalho voluntário, procure uma agência segura, que passe as informações corretas sobre ONGs de trabalho efetivo.

De qualquer forma, a experiência é inesquecível. Eu aprendi muito e evoluí como ser humano. Visitar um continente tão rico expande os horizontes, mas ajudar é ainda mais interessante. Pois é uma via de mão dupla, na qual você ajuda e recebe muito em troca. Um alimento reconfortante para a alma.

28 de Outubro de 2018
Por Lucia Caldas

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