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A Sereia – O Lago dos Mortos | Crítica

Como dar crédito a um filme que tem um título que não é transmitido em suas cenas? Esse é o caso de ”A Sereia: O Lago dos Mortos”. No longa do diretor russo Svyatoslav Podgayevskiy, não existe o ser mitológico metade humano, metade peixe. O monstro nada mais é do que uma adolescente que quer ser amada –  e isso não é um spoiler porque o longa frisa esse ponto a todo instante desde as primeiras cenas.

Segundo a sinopse, a história mostra ”uma sereia malvada que se apaixona por Roman (Efim Petruin), noivo de Marina (Viktoriya Glukhikh) e tenta mantê-lo longe dela em seu Reino da Morte debaixo d’água”. Para a surpresa de todos é exatamente isso que acontece durante os longos 91 minutos de filme.

O longa classe B foca no casal de personagens principais, formado por Roman e Marina que não têm uma história. O roteiro fraco de Podgayevskiy prefere que o foco do longa esteja em alguns pequenos sustos durante a trama, do que em uma boa narrativa a ser contada. Vai ser difícil para o público geral criar empatia pelos personagens mal construídos – e isso não é culpa dos atores.

No Brasil, mais um ponto tira a graça do longa que já é sem graça porque não gera um suspense ou apreensão no telespectador: a produtora decidiu trazer dubladores americanos e colocar uma legenda em português para que os ouvidos não treinados dos brasileiros não estranhem a língua russa – original do longa. A americanização de filmes estrangeiros tem sido cada vez mais comum, infelizmente, no Brasil e, para a tristeza de longas como ”A Sereia: O Lago dos Mortos”, o público do país tem aceitado sem muitas críticas negativas. Ainda sobre a dublagem, há falhas muito perceptíveis em alguns momentos, o que pode gerar uma estranheza ainda maior em relação à dublagem mal feita.

Os efeitos sonoros também não ajudaram nessa composição. A sonoplastia pecou ao exagerar no volume das torneiras, por exemplo, quando essas eram ligadas ou desligadas pelos personagens, além do rangido das portas e do assoalho de madeira da casa onde a maioria da narrativa se passa, que a todo instante fazem barulhos mais incômodos do que assustadores.

O terror cheio de clichês não para por aí. Há uma sensação de que o diretor russo tentou usar muitas referências em um único trabalho, alternando por vários momentos a aparência da sereia, fazendo-a lembrar rapidamente de outros seres do gênero como o palhaço Pennywise, de ”It: A Coisa” e a Samara de ”O Chamado”.

Um dos maiores defeitos, porém, do longa pode ser a demora em ser finalizado. A história é curta, sem muito o que ser acrescentado – apesar de ter muitos acréscimos desnecessários – e a mais de uma hora de duração é puro capricho de Podgayevskiy.

Para um filme classe B, ”A Sereia: O Lago dos Mortos” está longe de conseguir alcançar qualquer público ou objetivo grande o suficiente para ser pelo menos notado, se isso de alguma forma acontecer, não será graças à direção e roteiro de Svyatoslav Podgayevskiy que ainda precisa encontrar seu caminho no terror.

Texto: Lola Dias

Imagem: Reprodução/Divulgação

Postado 29 de janeiro de 2019

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2019-01-29T14:54:23+00:00